O começo de tudo

O Projeto Social Cultural Fuzuê nasceu da consciência da responsabilidade social que todos deveríamos ter enquanto membros de uma comunidade. Mais do que uma iniciativa de capoeira, o Fuzuê é uma semente de transformação, plantada com cuidado, regada com empatia e fortalecida por uma linhagem de valores humanos e ancestrais.
A história do projeto se inicia oficialmente em 2019, mas suas raízes são profundas. O idealizador do Fuzuê, Carlos Ricardo Ribeiro, conhecido como Mestre Ricardo, é um capoeirista veterano de Osasco que, ao se aposentar, decidiu dedicar seu tempo e experiência para ajudar sua antiga comunidade. Ao lado de sua companheira Mara, deu início a um trabalho social que logo se tornaria um símbolo de resistência e cuidado com o próximo.
A primeira ação do Fuzuê foi no bairro de Quitaúna, dentro de uma escola pública. Inicialmente, oferecia aulas de capoeira gratuitas para crianças e adolescentes. Mas logo ficou evidente que o desafio ia além da prática esportiva: muitos alunos chegavam às aulas com fome, sem vestimentas adequadas ou com outras necessidades básicas não atendidas. Foi assim que o projeto ampliou seu escopo, passando a fornecer refeições, cestas básicas, kits de higiene, roupas, brinquedos e muito mais, com o apoio de pequenos comerciantes locais, amigos e voluntários.
Mas essa não foi a primeira vez que Mestre Ricardo usou a capoeira como ferramenta de transformação social. No final da década de 1990, ele liderou um projeto social no bairro do Cirino, também em Osasco, que formou diversos capoeiristas e obteve destaque em campeonatos estaduais e nacionais. Infelizmente, por conflitos de interesses com a gestão da instituição onde as aulas aconteciam, o projeto foi interrompido no início dos anos 2000. Ainda assim, a semente da mudança havia sido plantada.
Duas décadas depois, com mais maturidade e visão social, Mestre Ricardo retoma sua missão. Em seu primeiro ano, o Fuzuê já reunia mais de 50 alunos. No ano seguinte, mesmo com os impactos da pandemia, o projeto não parou: as aulas foram temporariamente suspensas, mas a solidariedade continuou. Cestas básicas, doações e apoio emocional foram oferecidos a dezenas de famílias afetadas pela crise sanitária e econômica.
Hoje, o Projeto Fuzuê segue crescendo. São mais de 50 famílias cadastradas, cerca de 40 alunos ativos e diversas apresentações culturais anuais em escolas e instituições. Mais do que ensinar golpes ou cantar ladainhas, o projeto forma seres humanos com valores sólidos: ética, empatia, respeito, lealdade e o espírito de Ubuntu, que nos lembra que “eu sou porque nós somos”.
Nossa linhagem na capoeira é de resistência e ancestralidade. Formado por nomes como Mestre Waldemar da Paixão, Mestre Zé de Freitas, Mestre Mello, até chegar ao Mestre Ricardo, o Fuzuê carrega uma herança centenária de luta, cultura e arte popular. Ao praticar capoeira aqui, nossos alunos não apenas aprendem a ginga — eles se conectam a um legado vivo.
E é assim, entre a roda e o cuidado, entre a música e a solidariedade, que o Projeto Social Cultural Fuzuê segue construindo pontes, fortalecendo vínculos e transformando vidas em Osasco e onde mais for possível chegar.
